Meu interesse pela leitura veio desde muito nova, “desde que me entendo por gente”. Minha mãe me ensinou a ler e escrever antes da escolinha, então, quando eu entrei na escola, já sabia ler e escrever. Em casa, eu lia os pequenos contos e historinhas que havia nos livros de português do meu irmão mais velho, que ja estava na escolinha, e nos livros dos tempos de escola do meu pai. Eu achava o maior barato! Através desse contato, comecei, então, a escrever minhas próprias historinhas.
Um dia, já na escolinha, o professor disse para cada um trazer um livro de casa, alguma história que tivesse. Em casa, não tínhamos nenhum livro além daqueles de português, de onde eu fazia as leituras dos contos e historinhas, e também vários e vários gibis da Turma da Mônica. Eram os livros que tinhamos em casa.
Meus pais compraram, então, um livro para mim: A Branca de Neve e os Sete Anões. Me encantei… Nossa! Uma história podia ir longe, por várias páginas! Não somente aquelas historinhas curtas com as quais eu tinha contato até então.
Todos os alunos da sala de aula iriam trazer seus livros, todos nós no mesmo dia. Éramos 30 alunos naquela sala, e cada um apresentava seu livro na frente da turma em formato de resumo.
“Uau!”, pensei. “Quantas histórias! Que mundo!”
Até aquele momento, eu conhecia Peter Rabbit e Seus Amigos como uma série que passava na TV Cultura, e eu amava. Certo dia, meu professor da escolinha perguntou:
“O que vocês mais gostam de assistir na TV?”
Eu respondi:
“Peter Rabbit e Seus Amigos.”
Meu professor disse à minha mãe que eu havia sido a única a responder algo diferente dos demais da sala; a maioria havia dito “Chiquititas”. Eu tinha até a fita de músicas das Chiquititas, mas nada se comparava a Peter Rabbit para mim, a série que passava na TV Cultura em 1998.
O professor, então, me disse que aquela série de TV era, na verdade, baseada em uma série de livros escritos por Mrs. Potter.
“Que demais!”
Fiquei superempolgada.
Meus pais, então, me apresentaram à biblioteca!
UAU! Um lugar cheio de livros onde eu poderia pegar emprestado qualquer livro que quisesse.
E assim tudo começou…
Meu primeiro livro da biblioteca foi Peter Rabbit e Seus Amigos. Daí em diante, a leitura começou a fazer — e ainda faz — grande parte da minha vida. Eu pegava tantos livros e lia tanto… até a hora de dormir.
Eu já tinha gosto por histórias porque meu pai também contava muitas histórias da Bíblia — que todos sabemos que é o livro dos livros!
Meus pais ficaram muito felizes com a minha empolgação pela leitura. Comecei a dizer a eles que, quando crescesse, seria escritora. Eles me apoiaram.
Eu pedia que me contassem histórias para dormir. Meu pai, então, começou a inventar algumas histórias engraçadas e a usar os nossos chinelos para fazer um teatro. Era muito engraçado! Comecei a escrever várias historinhas, todos os dias, em casa e na escolinha.
Eu também, muitas vezes, queria ler para os meus pais na hora de dormir. Eles aceitavam e tinham orgulho, ficavam felizes com a minha empolgação. Li tantas e tantas vezes A Branca de Neve e os Sete Anões para eles e para os meus irmãos que até memorizei a história.
Minha irmã caçula também memorizou, mas ela ainda não sabia ler. Tinha quatro anos de idade nessa época. Uma noite, porém, ela disse:
“Hoje eu que vou ler!”
Então, pegou o livro e começou a “ler”. Mas, claro, ela não sabia ler e, por isso, não fazia diferença para ela se as letras estavam de ponta-cabeça ou não. Ela pegou o livro e “leu” todinho!
O que demonstrou que realmente não estava lendo foi justamente o fato de o livro estar de cabeça para baixo. Além disso, ela havia memorizado as falas, mas elas não eram exatamente iguais às do livro. Claro, foi muito engraçado! Todos nós cinco rimos muito: meus pais, meu irmão mais velho, a própria caçula e eu.
Eu lia tanto que queria continuar lendo até depois do horário de dormir. Meus pais proibiam. Falavam que eu tinha que dormir no horário e que não poderia trocar o sono pela leitura. Eles estavam certos, claro.
Mas eu fingia que ia dormir e escondia o livro embaixo do travesseiro.
Quando percebia que meus pais já estavam dormindo, ia com meu livro até o banheiro, pois era a única luz da casa que ficava acesa. Quando ouvia minha mãe acordando — porque ela sabia que possivelmente eu estaria acordada lendo —, eu corria para a cama e fingia dormir. Ela acreditava.
Assim que percebia que ela havia se deitado novamente, eu voltava ao cantinho onde a luz do banheiro refletia e continuava lendo…
O Jardim Secreto, em uma dessas ocasiões.
Eu tinha seis anos.
Quando fiz nove anos de idade, ficou mais fácil: ganhei um abajur da minha prima e, assim, não precisava mais sair da cama. Eu só escondia o livro embaixo do travesseiro, como sempre, e desligava o abajur.
Boas recordações da infância…
Monteiro Lobato… entre tantos outros autores e histórias!
Na adolescência, comecei a ter contato com os clássicos brasileiros, escritos por autores consagrados pelo tempo: Vidas Secas, de Graciliano Ramos; Dom Casmurro, de Machado de Assis; O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna; os poemas fantásticos de Carlos Drummond de Andrade. Só para citar alguns!
Li muitos e muitos livros. Ainda estou contando, mas foram centenas de livros até aqui. Será que cheguei a mil livros? Eu conto a vocês depois, quando terminar a lista.
Eu também lia os clássicos internacionais, publicados com tradução para o português, é claro! Porque eu não falava inglês nessa época.
Dentre os clássicos internacionais, li as empolgantes histórias de Agatha Christie. Simplesmente passei por uma fase de obsessão por romances policiais! Não aqueles tenebrosos; por isso eu gostava da Agatha. Ela não escrevia violência ou terror puro. Sabia a medida certa para proporcionar uma leitura prazerosa, mesmo nesse gênero de mistério.
Também li livros que foram uma febre mundial, não necessariamente clássicos da literatura. Nem preciso dizer quais livros fazem parte dessa categoria. Claro que inclui Harry Potter e Crepúsculo. Realmente, entrei nas febres contemporâneas! Haha
Já nos tempos de universidade, li muito sobre Política e Relações Internacionais, dentre outros temas relacionados à faculdade que eu cursava. Nesse contexto, assisti a diversos documentários interessantíssimos e também a filmes que me fizeram perceber a vida de um jeito um pouquinho diferente.
Quanto Vale ou É por Quilo?, Sergio Vieira de Mello e O Jardineiro Fiel, para citar alguns, são obras que recomendo a todos que desejam entender as injustiças intrínsecas do sistema.
Uma leitura constante em meio a todas essas outras, desde a infância, sempre foi a Bíblia, o livro dos livros.
Nos meus tempos atuais, já na vida adulta e morando na Irlanda, fiquei bem para trás daquela Eli leitora de até então, porque eu realmente lia muitos livros por ano na infância e na adolescência. Na época da faculdade, inclusive, fiz bom uso das bibliotecas por onde estudei.
Na vida adulta, adicionei aos meus interesses de leitura os livros práticos para a vida, como os escritos por Gustavo Cerbasi, Mario Sergio Cortella, Nathalia Arcuri, Flávio Augusto e outros. Entre os autores internacionais, posso citar James Clear, Napoleon Hill, a autora de SuperBetter, entre outros.
Quando recém-chegada à Irlanda, li alguns livros de ficção para treinar o inglês, escolhendo leituras que tivessem um vocabulário mais fácil para quem estava começando a ler em inglês. Lembro até hoje de estar lendo na sala de aula de inglês e não saber o significado da palavra “mud”. Hoje sei que é barro.
Juntamente com meus projetos de leitura atuais, tenho os livros que ainda não li, mas que estão na minha lista para ler. Porque, minha gente, eu tenho uma lista de interesses! Eu aceito sugestões, mas não necessariamente vou adicioná-las à minha lista. Eu avalio o livro antes, mesmo que seja uma indicação.
Porque, minha gente, eu não vou ficar lendo livros pelos quais não tenho interesse. Não é assim que funciona! Não gosto de livros de terror, violência etc.
Nos meus planos de releitura estão todos os livros sobre os quais eu publicar um artigo na série do blog O Próximo Capítulo chamada “Páginas da Memória”.
Todo livro sobre o qual eu publicar um artigo como parte dessa série, posteriormente, em algum momento, após relê-lo, ganhará um novo artigo. Esse segundo texto fará parte de outra série do blog, chamada “Um Novo Olhar sobre as Mesmas Páginas”.
Muitas dessas releituras acontecerão até 28 anos depois da última vez que li aquelas histórias. Já os artigos da série Páginas da Memória serão escritos a partir das lembranças que guardei dessas leituras ao longo dos anos. São minhas memórias cruas, de quando li aqueles livros pela primeira vez: algumas de 28 anos atrás, outras de 20, 15 ou 5 anos, e assim por diante.
E você, leitor do blog O Próximo Capítulo: quais leituras marcaram os capítulos da sua infância, adolescência e/ou vida adulta? Quais você gostaria de revisitar?
Espero que os artigos sobre os livros que já li e aqueles que vou revisitar possam inspirá-los a lê-los pela primeira vez ou, quem sabe, a revisitá-los também.
Um grande abraço e até o próximo capítulo! ✨
